Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Sexta-feira: o dia em que eu resolvi trabalhar de verdade.

novembro 4, 2013

Queria eu poder acordar cedo pra poder voltar a dormir. É, queria. Mas a vida não é esse conto de fadas que a gente espera que seja. Começar do zero no final de semana é uma baita revolta. Não pelo final de semana, mas sim com a mesmice. É o limite, cara. Justo na sexta. O último dia útil. E posso dizer que foi muito útil.

 

O tapa de realidade doeu, sim. E ainda dói. De vez em quando rola uma coçada pra gente lembrar que a vida vai exigir de nós todo o dia. Não dá pra parar nem se distrair com o toque do Facebook. Por isso, contrariando a velha postura de começar do zero a partir da segunda, resolvi começar na sexta. E agora eu vou até o final, assim como estou fazendo neste texto.

Lindas palavras

novembro 18, 2011

Fazia tempo que eu não parava pra exercitar a escrita de uma forma mais consistente, e que fosse além dos 140 caracteres que a gente já conhece. E vamos ser sinceros. Não existe coisa mais bonita do que ver uma página repleta de palavras alinhadas, com seus pontos e vírgulas, acentos, vogais e consoantes. Todos dispostos em plena sintonia como uma partitura pronta para ser lida e traduzida em canção, em sons, em ritmo. Gosto de viajar nas palavras, me equilibrar nas linhas, não tropeçar nas vírgulas, é de fato uma diversão.
Pobre alma essa, sem paciência de chegar à terceira linha. Não conhece o prazer de desfrutar de um parágrafo inteiro, de se deliciar nas frases perfeitamente formuladas, de terminar uma linha e correr rapidamente os olhos para a outra sem querer perder mais tempo. Pobre alma.
Foi dito que uma imagem vale mais que mil palavras, mas discordo. Não trocaria minhas declarações por um coração num papel. Nem pouparia minha mão para escrever o quanto amo alguém. Palavras nunca são excessivas. Excessivo é quem as escreve. Não culpe as coitadas por serem tão mal administradas. E sabendo que disse tudo o que queria, fico por aqui.

Tudo pode acontecer #1

maio 6, 2011

Imagina que lôco a internet tão presente em nossas vidas que num transplante de coração o doutor acaba achando um”S” e um “2”.

Imagina que lôco vazar uma foto do Osama e do Obama brincando de morto vivo daí o Osama tá abaixado comprovando os fatos: ele tá morto.

Imagina que lôco se uma bomba destruísse Paciência, no Rio de Janeiro. O Rio seria uma cidade muito séria e turrona sem Paciência.

Imagina que lôco um solo executado pelo Han Solo batucando no solo.

Imagina que lôco o navio ir a pique-esconde, se esconder no fundo do mar e dizimar milhares de vidas por causa de uma mulecagem.

Imagina que lôco a família comendo peixe no almoço de boa, daí a mãe fala pro guri tomar cuidado com as espinhas, aí surge o Luan Santana na mesa tocando violão e falando “Eu adoro cantar pra galera, mas se você acha que isso me torna diferente, se enganou(…)”

Imagina que lôco os torcedores do Flamengo no bondinho da Lapa, aí ele perde o freio, e o maquinista fala “Tô sem freio”, aí a galera vibra euforicamente na inocência gritando “É o bonde do mengão sem freio” daí o bondinho bate e todos morrem tragicamente.

Envelope da Carta para a Worm MKT Guerrilha

novembro 17, 2010

Esse é o envelope da carta que eu postei antes .

Tenho que confessar

outubro 25, 2010

Tenho que confessar que esse é um texto antigo e reciclado, escrito em 23 de outubro de 2008.

Tarde de sol quente na zona oeste do Rio, um grupo de pessoas se reúne numa sala de um prédio em Campo Grande. A mulher alta de cabelos negros se pôs de pé no meio da roda de cadeiras, ocupadas por pessoas aparentemente normais e comuns: Um homem, de cabelos grisalhos, com cara de poucos amigos, gordo, e uma mala encostada no pé direito. Uma menina com cara de treze anos, mascando chiclete, usando um batom preto, lápis preto nos olhos, roupas pretas, e um par de botas All Star nos pés. Uma moça grávida, de mais ou menos cinco meses, semblante bonito, solteira, bem cuidada e um lindo sorriso estampado no rosto. Um rapaz com uma careta estranha, magricelo, espinhas na cara, e com uniforme de funcionário do Mc’Donalds, olhando para mulher alta em pé exalando um ar pesado de adolescente no auge da puberdade. Um pai de família, balançando a chave do carro entre os dedos compulsivamente, resmungando em silêncio ansiando a hora de sair dali. E o último, um rapaz magro, cabelos castanhos e olhos verdes, usando um tênis de quatro listras. Finalmente a mulher alta se pronunciou ao grupo.
– Boa tarde pessoal. Meu nome é Ângela, e eu vou ser sua supervisora e conselheira de hoje na nossa terapia de grupo, portanto quero que todos se sintam à vontade pra falarem o que quiserem e sobre o que quiserem. Como todos perceberam antes de entrar aqui, vocês assinaram um termo de sigilo total sobre tudo que é falado aqui. Sintam-se à vontade porque tenho certeza de que ninguém aqui tem motivos pra falar nada lá fora.
Olhares se cruzavam ferozmente na sala enquanto Ângela falava, como se jurassem um ao outro de morte, caso suas palavras saíssem daquelas quatro paredes.
– Pra começar gostaria que cada um se apresentasse, dizendo nome, idade e o motivo de estar aqui. Ok? – Esperou em vão uma confirmação, e continuou a fazer exigências difíceis aos pacientes: – Quem é o primeiro?
Ângela se calou, mas a pergunta ainda pairava sobre o ar daquela sala. Todos se olhavam esperando que alguém tomasse a iniciativa, mas nada aconteceu.
– Tudo bem! – Disse Ângela – Eu primeiro.
– Mas você é a psicóloga! Você deveria ouvir a gente! – Interrompeu a menina de All Star.
– Exatamente! Eu sou a psicóloga e você é a paciente. – Retrucou Ângela – Então comece falando você, caso contrário eu aproveito o seu precioso tempo e falo dos meus problemas e da minha vida. O que que você acha?
A menina ficou encarando Ângela secamente, mas não encontrou nenhuma resposta à altura. Teve que aceitar a proposta, e começou o que era sofrimento pra todos na sala:
– Meu nome é Clarissa, tenho catorze anos, e vim pra minha mãe parar de encher meu saco.
Ângela nem precisou perguntar. Logo, foram surgindo novos adeptos ao movimento.
– Ehhhh…. – O homem gordo gaguejou antes de continuar. Ajeitou o óculos no rosto e finalmente disse: – Meu nome é Tomas, e eu tenho trinta e três anos. Minha esposa me aconselhou terapia de grupo, e é só.
Era a vez do rapaz com espinhas.
– Meu nome é André, mas os amigos me chamam de Dézão. Tenho vinte e quatro anos, e meu chefe me aconselhou a vir aqui, disse que eu precisava. Mas eu só vim pra assinar a ficha de comparecimento e “meter o pé”. E mais uma coisa Ângela. – Disse olhando para ela, forçando uma careta – Eu adoraria saber mais sobre a sua vida! – Finalmente finalizou sua apresentação com uma piscada de olho para Ângela.
– Concordo com seu chefe! – Alfinetou Ângela. – Próximo!
Mesmo querendo rir, o rapaz de olhos verdes deu sequência as apresentações.
– Meu nome é Flávio, tenho vinte anos, e “tô” aqui porquê uma amiga me indicou. Nada demais. Aí eu vim pra ver como é.
– Ótimo. Próximo!
Com um sorriso contagiante a futura mãe se apresentou:
– Meu nome é Samara, tenho vinte e dois anos, e vim mais pela saúde do bebê. Minhas amigas me disseram que seria bom pra mim e pro bebê, até porquê eu tenho me estressado com o pai. Mas enfim, estou aqui.
– Que bom Samara, é bom você querer preservar sua saúde emocional e mental. Qualquer coisa que te afete também afeta o bebê. Espero que você aproveite ao máximo esses momentos. Próximo!
A chave caiu no chão. Enquanto se abaixava fez a apresentação.
– Eu me chamo Andrade, tenho cinquenta e três anos e só vim pra satisfazer a vontade das minhas filhas e da minha mulher. Vamos acabar logo com isso porquê eu estacionei do lado da Moacyr Bastos, e ainda por cima, no sol.
– Entendo seu descontentamento Andrade, mas só iremos terminar no horário estipulado, ou talvez se todos tiverem falado o que quiserem, certo? Se você quiser sair antes disso fique à vontade.
– Tanto faz! – Respondeu grossamente.
Finalizada as apresentações, Ângela tomou o rumo que a maioria evitava, pelo menos antes de alguém começar.
– Ok. Já nos apresentamos, sabemos nossos nomes, e agora é hora de ouvir-mos uns aos outros. Quem começa?
Silêncio.
– Gente, eu poderia usar a mesma tática que usei com a Clarissa, mas sinceramente, não estou muito afim de falar de mim. É como ela mesmo disse, eu sou a psicóloga, vocês são os pacientes. Vocês estão aqui para falar, para dizer o que sentem, o que acham em relação à algo. Enfim, digam o que vocês quiserem. Qualquer coisa que incomode vocês, ou que vocês nunca compartilharam com ninguém.
A voz de Ângela foi interrompida pelo anúncio imprevisto:
– Eu começo!!! – Disse Flávio olhando firme pra Ângela.
– Graças a Deus! – Angêla sorriu.
– Sobre qualquer coisa Ângela? – Perguntou para ter garantia de não receber nenhuma advertência desnecessária.
– Qualquer coisa Flávio. – Respondeu Ângela imaginando o que estaria prestes a ouvir.
– Quanto tempo?
– O tempo que você achar necessário.
Suspirou fundo, e deixou seus pensamentos saírem através de simples palavras.
– Tenho que confessar: Não sei quando é impedimento no futebol, nem muito menos tenho um time pra torcer. Na verdade, não faço muita questão de adotar um time pra torcer. Simplesmente torço pelo time dos amigos, ou da maioria. Consequentemente, caso role pancadaria eu vou estar com a maioria. Não me empolgo com Campeonatos Cariocas, Ligas de não-sei-o-quê, etc. A única que salva é Copa do Mundo. Mas ainda assim, nunca comento sobre futebol. Isso tudo porque eu não entendo de futebol. Não sei andar de patins, e resolvi não fazê-lo definitivamente quando quase quebrei a perna e acabei me ralando todo no muro chapiscado da minha casa. Falo dormindo, embora não tenha acreditado nisso durante muito tempo. Muitos diziam que eu falava dormindo e ficavam me sacaneando, e o fato de me sacanear é que me fazia duvidar, pois na maioria dos casos essas pessoas inventam coisas só pra rir dos outros e chamar a atenção. Depois que minha mãe me disse eu tive que acreditar. Então dessa vez eu abaixo a cabeça, reconheço e aceito esse meu charme: Eu falo dormindo. Me enrolo toda vez que como em restaurantes e lanchonetes como Mc´Donalds e Bob´s. Na hora de pedir é sempre o mesmo sofrimento. Os atendentes perguntam se eu aceito uma coisa que eu nem sei o que é, e assim fica complicado me decidir. Principalmente com a pressão psicológica que rola quando você percebe que a fila está crescendo, e sabe que você é a causa do problema. Só vou quando tem mais alguém comigo, aí é só falar que eu quero o mesmo que o outro pedir. Mas eu sei e vocês sabem que isso é questão de prática, então não venham me rotular de alienado. Não sei nadar, nem ao menos boiar. Me limito somente ao cantinho das crianças na piscina. As vezes me aventuro a ir mais pro fundo, mas segurando a beira da piscina sempre. Pelo menos, uma coisa é certa: Nunca me afoguei. Durmo profundamente em ônibus e trens. E sempre procuro os pontos mais estratégicos para ter um sono tranquilo, e acreditem, eu até sonho. O macete é escolher o lugar certo e pensar da maneira certa. Antes de subir no ônibus, observe a posição do sol em relação ao ônibus.
– E se o ônibus estiver andando de ré? – Interrompeu André enquanto ria, tentando chamar a atenção de Ângela.
– André, por favor não interrompa! E antes que você pergunte, não! Eu não quero sair com você! Por gentileza Flávio, continue.
Durante cinco segundos a sala ficou em completo silêncio, enquanto todos menos Ângela, olhavam para a cara envergonhada e repleta de espinhas, de André. Até que Flávio deu sequência à sua confessão.
– Dependendo da direção em que o ônibus vai, o sol vai estar de um lado ou do outro. Então não se engane. Procure sentar na janela. Caso os bancos sejam ruins e não tenha onde reclinar a cabeça, encoste-a na janela. Não recomendo essa tática caso você use cabelo arrepiado. Quando você chegar em casa vai reparar que sua cabeça está esquisita. Um lado arrepiado e o outro com o cabelo prensado. Isso é sério! Experiência própria. E só nessa hora descobri a razão de todos me olharem no ônibus, na rua, no centro de Campo Grande, no outro ônibus, na minha rua, e no portão de casa. E se der mole, até minha tartaruga reparou. O único sincero e cara de pau o bastante pra falar foi o espelho do banheiro. Esse nunca vai mentir pra você. Voltando ao ônibus. Se estiver fazendo calor abra bem a janela, o vento ajuda o sono. Se estiver chovendo escolha o lado direito do ônibus. Sempre tem um ou uma imbecil com a janela aberta do lado da pista contrária. E é certo de alguém tomar água na cara, e esse alguém não vai ser você. Tome cuidado pra não bater a cabeça na maçaneta da janela. Vai por mim, dói muito! Principalmente se bater duas vezes no mesmo canto da testa. Quando era pequeno, eu tinha medo do mundo virar de cabeça pra baixo. Evitava andar em campo aberto durante muito tempo. Ficava incomodado nos engarrafamentos da Av. Brasil, preocupado de dar a louca na gravidade terrestre. Coisa de criança. Nunca gostei de usar banheiro da escola, mas aos seis anos de idade me vi forçado à quebrar o jejum. Mesmo contrariado pelo meu organismo, reconheci que não havia nada que eu pudesse fazer e me entreguei. Fui ao banheiro esperando alguma outra opção repentina, ou uma professora bem legal que pudesse perceber o desconforto e a vergonha de uma criança, e me levasse a um banheiro melhor. Um sonho, nada mais que um sonho. A necessidade era mais forte. Entrei no banheiro, me tranquei, e em menos de dois minutos alguém bateu na porta. Minha barriga congelou, minhas pernas tremeram e minhas mãos se fecharam violentamente, só por ter alguém do lado de fora. O fato de eu usar o banheiro da escola era desconfortável, quanto mais alguém do lado de fora querendo dividir esse fardo comigo. Só por isso, um simples “Tem gente!” resolveria o problema. Mas eu fiquei calado até a terceira batida na porta. Meu “oi” saiu querendo voltar pra dentro de mim, em um desespero frenético e compulsivo. Até que fui pego de surpresa com aquela pergunta e com aquela voz: “Flávio?!”. A resposta foi imediata: “Mãe?”. Era ela. De todas as pessoas que haviam ali, foi ela quem resolver ir ao banheiro justamente naquela hora. Mas o que mais me intriguou foi o fato dela estar no banheiro masculino. Fui logo perguntando: “Que que a senhora tá fazendo aqui no banheiro dos homens?”. Ela foi logo respondendo: “Que que VOCÊ tá fazendo aqui no banheiro das mulheres?”. Por mais que seja constrangedor, não entrei em pânico. Era minha mãe que estava ali. Isso que importava. O verdadeiro pânico apareceu quando eu fui me dar conta, de que poderia aparecer qualquer garota ou mulher no banheiro ao invés dela. Penso nisso até hoje, e confesso que é inevitável o frio na barriga. Odeio quando a caneta falha quando eu estou escrevendo. Pior, quando a gente rabisca no canto da folha ela sempre funciona. E quando vamos voltar a escrever naquele ponto em que paramos, ela falha de novo. Esse processo se repete até perdermos a paciência. É deprimente. Quando faço Nescau, eu taco o Nescau no leite e observo ele afundar naturalmente, sempre dá a impressão que é uma ilha afundando. Se eu estiver andando e ver uma formiga bem onde eu vou pisar, eu encosto o calcanhar no chão e refaço meu caminho. É meio louco, mas é isso que eu faço. – Mais o quê? – Pensou alto. – Pessoas. Odeio quando tentam aparecer às minhas custas. Querendo chamar a atenção dos outros para mim. Não gosto de aperto de mão fraco. Demonstra falta de confiança e coragem. Sei lá! Não aperte minha mão se não souber como se faz! Já procurei uma menina desaparecida com meu irmão e um amigo, quando éramos crianças. Tenha certeza de que ela não estava no nosso bairro, acredite, revistamos todo o lugar. Quando meu pai começou a dirigir eu devia ter uns dez anos. Eu tinha medo dele na direção, e ficava deitado no banco de trás com os ouvidos tampados. A desculpa era sempre a mesma: “Só tô descansando!”. Mal sabia ele do meu pequeno segredo. – Sorriu – Mas hoje ele já “tá” mandando ver. Já me envolvi com garotas legais, chatas, sebozas, simpáticas, mesquinhas, infantis, maduras, amigas, traíras, etc. No final a gente sempre aprende alguma coisa pelo menos. Mas uma característica em comum entre elas é palpável. – Olhou pro alto e sorriu de novo – São muito complicadas. Mas sem elas nada tem graça. É claro que são difíceis, e quando você ama demais tem medo de perder. Principalmente se a suposição de ser traído, ou de que foi traído, for levantada. A maioria dos amigos que eu tenho são canalhas assumidos por terem amado mulheres traíras. Mas não posso condenar. Nada é certo no amor. É um ciclo onde homem e mulher acabam se magoando. É como fogo cruzado, um atira contra o outro. Mas sempre tem uma bala perdida que acerta um inocente. E quando você se dá conta o inocente é você. E essa bala perdida acaba aumentando o número de homens canalhas e mulheres revoltadas com os homens. É fato. Já pensei em me entregar à essa doença, mas não nasci pra isso. – Sorriu. – Acho que eu combino mais com as campanhas e passeatas contra a violência ao coração. Vou ser sincero com vocês, tem vezes que cansa ser assim. Dá vontade de sair por aí atirando contra algum coração inocente. Mas quando vejo, já fui pego por alguém. Não um alguém qualquer, até por que depois de experiências com tiros anteriores você acaba ficando imune à balas que não prestam. Cada romance novo, é uma nova chance ao coração. Chance de acreditar que ainda existe alguém legal, em algum canto por aí. Tem um monte de gente feliz por aí, namorando com gente maneira, rindo e se divertindo. O sol nasceu pra todos, é só a gente sair da sombra. – deu de ombros. – Mas nem sempre é assim. – sorriu. – Também tem seu lado bom e engraçado: O beijo gelado com Halls preta.- O sorriso se intensificou.- O simples pedido de uma ligação quando chegar em casa pra não deixar ela preocupada, a primeira vez que você prova da comida dela, a música que ela ouvia enquanto falava com você no telefone de madrugada, a roupa que ela usava no primeiro encontro, a primeira conversa reveladora no Msn até as três da manhã, a confusão pra encontrar a casa dela com o motorista de táxi, os cinco minutos do filme que você não viu no cinema porque ela te beijou do nada, a reação no rosto dela ao receber aquela carta por correio, coisa que ela nunca recebeu de ninguém. Descobrir na hora de ir embora, o quanto a presença dela é importante. A despedida de uma hora no portão, com desânimo ao extremo. O sorriso dela ao ganhar as flores na porta de casa, o abraço repentino e espontâneo por trás de você, o sussurro no ouvido, o cala-frio na nuca, o beijo no pescoço, a pele macia, o perfume que fica impregnado na blusa, tão irresistível que faz você dormir com a blusa na cara. A mesma vergonha infantil quando ela olha pra você, a alegria de apresentar ela aos amigos mais próximos, à família. Os planos para o fim de semana, o ciúme de ver outro cara se aproximando dela, ou ultrapassar o limite de contato estipulado na nossa mente apaixonada, a primeira conversa tímida depois da confissão, o sentimento de proteção quando você abraça ela, o primeiro confronto inesperado com a TPM, a conclusão de saber que ela vale tanto a pena à ponto das outras não te chamarem mais a atenção. – Parou de repente e perguntou preocupado. – “Tô” falando muito né?
Andrade foi o primeiro a se pronunciar.
– Continua garoto, eu quero ouvir. Te dou o meu tempo se precisar! – Disse surpreendendo a todos na sala.
– Continua cara! – Clarissa reforçou. – “Tá maneiro!”.
– É Flávio! Eu “tô” gostando de te ouvir. – sorriu Samara.
Soluços ecoavam pela sala vindo de Tomas. Levantou-se da cadeira surpreendentemente com lágrimas nos olhos.
– Desculpe, só um instante por favor! – Pegou o celular do bolso, foi até o canto da sala e discou o número até atenderem. – Márcia? Liguei pra dizer…Que te amo. – Sorriu sem-graça.
Ângela deixou Tomas à vontade para conversar com sua esposa , enquanto todos estavam olhando para Flávio. Meio envergonhado com a atenção, Flávio ouviu de Ângela um pedido comum.
– Flávio! – Disse Ângela com um sorriso. – Continua.
O único que ficou calado foi André, com medo de represálias, em forma de palavras, de Ângela.
– “Tá” bom! – sorriu. – Gosto de músicas românticas, bandas como Roupa Nova, Skank, Jota Quest, Paralamas, Leoni, André Leono, Moska, Lulu Santos, Cidade Negra, Kid Abelha, e outros aí. Gosto das letras, e da parte instrumental da música. Tem que ter conteúdo, mensagem aproveitável e que possa ser bem digerida. Preciso confessar que gosto do ritmo de funk, não as letras fúteis, mas sim do ritmo. É inevitável, sempre bato o pé no chão com funk. Falando em ritmo, eu toco um pouco de bateria. Não como eu gostaria, mas dá pra fazer uma graça. Nunca me interessei, até que com catorze anos fiz uma bateria de lata pra brincar na varanda com meu irmão que tocava baixo. Peguei gosto pela coisa, e hoje já estou com umas quatro baquetas quebradas no currículo. Baterista sempre passa por essas coisas. Bater os dedos no aro dos tambores e sentir a dor e o sangue respingando na blusa, incomodar os outros com o som, rachar prato, rasgar pele, perder as peças pequenas porém importantes. Tudo normal pra um batera como eu, um bom de verdade comete esses delitos uma vez na vida outra na morte. – sorriu. – Há muito à se aprender ainda. Foi o que descobri com a bateria. Quando comecei, sempre via os caras mais velhos que eu, como verdadeiros monstros. Hoje acredito que passei eles em questão de conhecimento e técnica. Mas vai de cada um querer aprender e crescer. Enfim, passei eles e ainda me vejo um baterista medíocre. Na boa, eu vejo vídeos no Youtube de profissionais de verdade e chego à conclusão que aprender é uma parada sem fim. Vai sempre existir alguém melhor que você em alguma coisa, e sempre algo à mais pra se aprender. A questão é querer. – De repente Flávio parou de falar.
Tomas voltava à sua cadeira com a cabeça abaixada.
– Só um instante Flávio, por favor. – Ângela pediu. Olhou para Tomas. – Tomas, gostaria de dizer alguma coisa?
Todos voltaram seus olhos para Tomas.
Ergueu a cabeça e ajeitou os óculos. – Filho, continua que eu quero saber se vou precisar ligar pra mais alguém. – Deu um sorriso de orelha à orelha. Todos riram.
– Flávio. – Ângela não precisava dizer mais nada.
– Ok. – sorriu. – Lembrei dos meus celulares. Cheguei a usar três. O melhor pra ouvir música, um antigo todo ferrado, e o outro pra serviço e pra ligações normais. Pra ser mais breve, o melhor que tinha mp3 sumiu, o que eu uso pra serviço já está com os botões faltando. O único que ainda está de pé, firme e forte é o antigo. Um daqueles com luz azul, joguinho de cobra e tons jurássicos. – Comentou de repente e sorriu – Isso era totalmente irrelevante se comparar com tudo que eu já falei aqui. E sei que não vai fazer ninguém chorar, mas é chatão ver aquele Motorola de luz azul no meu armário e saber que nunca mais vou ver o meu Nokia preto, com Bluet tooth, mp3, e o mundo todo dentro dele. Acho que por enquanto é só.
Antes de alguém dizer alguma coisa, alguém bateu à porta.
– Entra. – Convidou Ângela.
Era a secretária da clínica.
– Ângela, desculpa. É que tem gente aqui fora querendo entrar pra participar da reunião de vocês.
– Que gente?
– Estão dizendo que são leitores do blog do Flávio ou alguma coisa do tipo. E disseram que também querem se “confessar”. O que eu faço?
-Pode trazer.
– Tá.
– Mais convidados. – levantou da cadeira e foi em direção à porta. – Boa tarde gente. Fiquem à vontade, sentem-se e fiquem quietos por enquanto por favor..
Enquanto chegavam iam se espremendo, e alguns sentando no chão.
– Bem. – Ângela se pôs no meio de todos e disse. – O último a falar foi o Flávio. Quem é o próximo?

O refri não!

agosto 7, 2010

Tudo começou com uma costelinha.
Além de ganhar uma cicatriz medonha,
o pobre Adão nem teve direito ao voto.
Tudo foi planejado e calculado com frieza.
Foi pesado demais para o nosso herói que não resistiu.
Caiu na tramóia e sucumbiu.

Dormiu inocente debaixo de uma amoreira
e acordou com o sorriso daquela bela criação divina:
A mulher!
Depois de analisar o material,
até que não foi má ideia liberar uma costela.
Tudo bem, tudo bem. Uma costela vai.
Mas pode parar por aí.

O tempo foi passando,
a humanidade foi se multiplicando,
as cidades foram se espalhando,
e o homem foi dominando.
Ele saía pra caçar com sua lança,
e seu vestidinho de pele,
enquanto a mulher ficava na caverna,
cuidando dos afazeres domésticos
e tirando a poeira das pedras
antes dos neandertaizinhos voltarem da escola.

Tudo mais que perfeito. Tudo na maior calmaria.
Até “calmaria” seria mais que perfeito se fosse verbo.

Mas chegou o dia em que
a mulher colocou na cabeça
de que queria sair da caverna
para ver o brilho do sol.

– Só uma espiadinha meu amor – disse ela.

O homem não levava aquilo à sério
e brincava dizendo que sua princesinha
estava ficando muito saidinha.
Era fogo de palha, ia passar.

Os dias passaram
e a mulher continuava
com aquela ideia insana.
Tudo ia sob controle
até as pedras e paus começarem
a voar dentro de casa,
a greve de sexo
e até ameaças de ir embora
pra casa da mãe com as crianças.

O homem estava
perdendo as rédeas.
Já não podia mais segurar
a determinação da mulher.
Pensando no pior, foi difícil não ceder.

– Tudo bem, só uma espiadinha.

– Meu chuchuzinho preferido. – Disse ela com um sorriso.

Os anos passaram.
Os tempos mudaram.
Mas a mulher continuava
com suas macacadas.
Sempre querendo o que
elas chamavam de espaço.
De vez em quando apareciam umas
que só entravam em cena pra ferrar
com a vida masculina.
Algumas até chegaram a fazer
algum barulho.

Mas o homem já sabia
como lidar com elas.
O domínio fôra retomado
com punhos de ferro.
E novamente o homem
tomou seu lugar como
o cabeça da sociedade.

Mas teve um dia.
Ah, aquele dia! Até hoje alguns
ainda evitam o assunto.
O homem voltou pra casa.
Cansado, depois de um dia
repleto de serviço,
empresas para gerenciar
operários para supervisionar,
máquinas a serem consertadas,
folhas de pagamento,
a economia mundial, as ações,
o mundo empresarial e suas cobranças.

Ele abre a porta esbaforido
e a vê.
Braços cruzados, rosto sério.

– Quero trabalhar fora. – disse ela.

Por um momento o homem
pensou ter errado de casa,
mas não. Sua mulher, seu docinho,
sua garota, estava ali na sua frente,
de cara amarrada, e queria mesmo
trabalhar fora.

Ela não me ama mais? Pensou o pobre homem.
Eu sou um mal pai?
Eu não sou um bom marido?

Suas mãos começaram a tremer,
e suas pernas já não davam conta
do seu corpo pesado.
Foi de encontro ao chão.
Sua mente girava,
mas ainda podia ouvir os gritos da mulher
por ajuda.
De repente percebeu
que estava demorando
demais para acordar
daquele sonho.
E apagou.

Foi retomando a
consciência aos poucos,
acreditando que aquele
tinha sido o pior pesadelo
desde a infância marcada
pelos sonhos com a tia Beth
e sua verruga nos lábios.

Acordou amparado pela mulher.

– Ah querida, você não vai acreditar. Foi horrível.
Eu cheguei em casa e você queria nos deixar.
Você queria um emprego, acredita? Um emprego!

O homem caiu na gargalhada.
Que sonho tolo pensou ele.

– Amor. Mas eu quero um emprego mesmo. – Interrompeu a mulher.

O homem não teve reação.

– Eu quero independência,
poder comprar minhas coisas.
Ajudar você nas despesas.

– Mas você já tem tudo. – Retrucou o homem.
Tudo o que você pede eu dou.
Sapatos, roupas, jóias,
jantares nos restaurantes mais finos,
até as estrelas eu dou se você pedir.

– Não seja infantil querido.
Eu só quero aprender coisas novas.
Imagina. Eu até podia trabalhar em
alguma das suas empresas.
Nós trabalharíamos juntos.

O homem não disse nada.
Aliás, não disse mais nada durante semanas.
Esperava que a mulher esquecesse
aquela ideia. Afinal, aonde já se viu?
Uma mulher trabalhando fora?
E pior: a sua. Nunca!

Durante os dias que se passavam,
as desculpas pra evitar o assunto
se extinguiram de tal forma,
que o homem precisou inventar
motivos um tanto exóticos para não
conversar sobre isso com a mulher.

Sempre arrumava uma desculpa de que
ia fazer hora extra no serviço.
Toda semana, um parente distante falecia,
e precisava ir ao velório pra compensar
os anos de ausência afetiva.
O carro desapareceu no meio da estrada
quando ele foi mijar na árvore. No dia
seguinte especulava-se que um OVNI foi
avistado na região.

Chegou a gastar um fortuna
em hotéis pra não dormir
em casa e ter de encarar
a esposa revolucionária.
Quando o dinheiro acabou
pediu para ficar na casa
dos amigos.
Mas eles preferiram
não se envolver na história.
Ninguém queria se meter
com uma mulher querendo um emprego.

O homem então se sentiu só.
Sem amigos, sem família,
sem uma mulher normal.
Por que a mulher inventou
essa história de emprego?
Tudo era tão feliz, tão perfeito.

Parecia que dessa vez o homem
perdera mais uma vez.

O homem voltou pra casa.
Abriu a porta e a mulher estava
no fogão preparando o almoço.
Tão linda a minha princesinha, pensou ele.
Ainda não acreditava
que as coisas tinham
chegado àquele ponto.

Ela ouviu a porta e se virou.
O homem exausto que via
não parecia com o seu homem.
Estava cansado de tentar fugir.
De tentar vencer o destino.

Traidor. Se rendeu facilmente
ao tormento.
Um pouco mais de vontade
e tudo iria voltar ao normal.
Mas, resolveu ir pelo caminho mais fácil
sem lutar. Sem brigar. Homem fraco.

Já era de se esperar.
No outro dia a mulher
já tinha carteira assinada.

E o tempo?
Esse passou.
Trazendo consigo
mudanças inesperadas.
A mulher já não era mais a mesma.
Ela gritava, saía as ruas,
não se calava mais.
Só sabia reclamar e se meter
nos assuntos de macho.

E não demorou pra
se meter na política.
Tudo ia bem, até o dia
em que ela acordou
e resolveu fazer um inferninho
pra variar.
E dessa vez ela veio com um papinho
de ter direito ao voto.

Essa mulher.
A cada ano que passa
vai ficando mais moderninha.
E parece que dessa vez ela descobriu
o segredo pra conseguir as coisas.
Escandalosa por natureza sabia irritar.
Sabia incomodar o sono do homem.
Chorando, seduzindo, gritando,
xingando, andando, não importava.
Ela conseguia convencer.
O homem não sabia mais o que fazer
pra conter a mulher e suas vontades.
E mais uma vez se fez motivo de risos.

E então ela estava lá.
Sorridente e contente nas urnas
dizendo que finalmente ganhou
o tal de direitos iguais. Pff.

A decadência já havia começado.
Quando viu, a mulher já dava ordens.
Tinha gritado tanto que se tornou patroa.
E o homem, esse patético.
Se tornara um funcionário.

A pergunta era só uma na mente masculina:
Aonde foi que eu errei?

Mas a coisa não para por aí.
E se eu te disser que
essa criatura esbravejou tanto que
ela já se tornou Presidente?

Essa abusada. Não bastasse uma costela
agora quer o mundo.
Mas eu sou um remanescente.
E vou continuar resistindo.
Pode me roubar tudo.
Costela, emprego, saúde, e até as eleições.
Mas de uma coisa eu não abro mão:
Vocês vão sempre levar os salgadinhos
nas festinhas.
O refrigerante sou eu que levo.

Carta – Worm Marketing de Guerrilha

agosto 5, 2010

Fui logo mostrando a cara quando soube que tinha uma agência de MKT de Guerrilha aqui no Rio.